O Cérebro Reptiliano
Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus, ele disse. 2000 mil anos depois, César está rico, e Deus, mendigando nas ruas.
Somos criaturas que vivem totalmente servindo as necessidades do ego. Construímos então, toda nossa sociedade, nosso mundo baseado nele. Vivemos, pois, em um mundo ainda primitivo espiritualmente, um mundo que os espíritas chamam de "provas e expiações", onde imperam espíritos que encarnam com pesados carmas e dívidas a rever. Assim, os instintos de sobrevivência, reprodução, competição, agressividade etc, ainda imperam e comandam o comportamento humano, bem como dos macacos. Ou seja, essa natureza primitiva, que deixa a vida toda baseada no materialismo, torna o ser ainda um espírito primata. Somos ainda meros "macacos cósmicos".
Na revista espírita publicada sob a direção de Allan Kardec, de 1958, os espíritos nos falam sobre a condição da evolução humana na Terra e comparam com a sociedade que existe em Júpiter, que é o planeta mais avançado espiritualmente do nosso sistema solar.
Consta abaixo um trecho da entrevista de Allan Kardec com Bernard Palissy, um habitante de Júpiter:
65. Em que consiste a superioridade e a inferioridade dos Espíritos em Júpiter, considerando-se que todos são bons?
Resp. – Eles têm maior ou menor cabedal de conhecimentos e experiência; depuram-se, à medida que se esclarecem.
66. Como na Terra, há povos mais ou menos avançados do que outros?
Resp. – Não; mas os há em diversos graus.
67. Se o povo mais avançado da Terra se visse transportado para Júpiter, que posição ocuparia?
Resp. – A dos vossos macacos.
Somos avançados tecnologicamente, nossa ciência já nos deu conquistas e feitos maravilhosos e temos uma inteligência muito acima da dos macacos, isso sem dúvida. Porém nossa inteligência espiritual, nossa evolução moral, está muito aquém ainda, muito atrasada, engatinhando, matamos uns aos outros, somos egoístas, vemos alguém morando na rua passando fome e passamos reto pois estamos atrasados para o serviço, e por isso nesse sentido, somos macacos, espíritos primitivos ainda, se comparados com outras famílias pelo universo à fora que já vivem em função das leis do amor universal.
No nosso mundo vivemos a correria louca de buscar a conquista do dinheiro todos os dias. Esse tipo de comportamento é típico do instinto de sobrevivência e auto preservação. O nosso cérebro possui uma área mais primitiva e mais antiga que se chamou "cérebro reptiliano", ele está no interior do cérebro como um todo e é responsável por todos esses instintos de sobrevivência e de procriação. São esses instintos que nos fazem sobreviver, ser competitivos uns com os outros, competir por fêmeas para procriação, competir por territórios, por alimento, por comando, liderança, a violência e a agressividade bem como desejos instintivos e reações de luta/fuga, também são resultados desse cérebro reptiliano.
É por causa do complexo-r que temos nossos comportamentos de auto-sabotagem, é nele que esta contida toda a educação positiva ou negativa que aprendemos e que usamos repetidamente em nossa vida, entendendo essa parte do cérebro, do que ele é capaz, e qual a sua função, podemos compreender como solucionar os problemas que ele causa e consequentemente os problemas em nossas vidas. Todo nosso comportamento de agressividade provém daí. As guerras que criamos e fazemos, todas são baseadas nos instintos do complexo-r, a velocidade na resposta à informação entre a amígdala e o neocortex é muito pequena, não permitindo o nosso cérebro agir com mais bom senso e equilíbrio diante de uma situação. Por exemplo: se vem alguém e te dá um tapa na cara, instintivamente você dá um outro tapa na cara da pessoa na mesma hora, ou se você é ofendido com algum xingamento, a resposta mais comum é devolver na mesma moeda imediatamente, pois esse é o comportamento do complexo-r, o cérebro não tem um tempo muito longo para poder processar a situação e poder resolver a questão com mais inteligência. É questão de milissegundos! é por isso que agimos por impulso, nas situações críticas agimos sem pensar antes, e só depois é que vemos a porcaria que fizemos, sim pois já deu o tempo para o cérebro processar a situação com mais ética, bom senso e inteligência, porém a merda já está feita, agimos por impulso diante da situação e agora não adianta chorar sobre o leite derramado. Por isso que se fala que quando acontece uma situação estressante, o melhor é contar até 10 que passa. Claro, pois dá o tempo suficiente para o cérebro agir com mais inteligência e não fazer nenhuma porcaria por impulso.
Outro comportamento típico que temos é a necessidade do território, o cérebro reptiliano necessita conquistar tudo. Quanto mais melhor, e o pior é que nunca é o suficiente. É como se fosse um erro no código de programação no nosso DNA, necessário até certo ponto na evolução, depois, se torna inútil em muitos aspectos e problemático e conflitante em outros à medida que evoluímos. Hoje em dia ainda lutamos por território, fazemos guerras por eles, e quando conquistamos demarcamos nosso território, só falta fazer xixi como os cães o fazem.
A necessidade de hierarquia, de líder alfa, também é inerente ao cérebro reptiliano. O medo é o carro-chefe dele. Temos medo de tudo e de todos, isso aguça nosso instinto de autopreservação e de sobrevivência, muito útil na idade das cavernas, onde caçávamos e fugíamos de feras assassinas.
O fato é que esses instintos servem apenas até uma fase da evolução de uma espécie, depois precisamos transcender tudo isso e darmos o próximo passo de nossa evolução espiritual, como um salto quântico que o elétron faz quando muda de uma órbita ao redor do átomo para outra. Não que o cérebro reptiliano não seja útil na vida, claro que é, foi programado para permitir a vida nesse nosso corpo, nessa dimensão, ele é responsável, por exemplo, pelas funções automatizadas do nosso corpo como respirar, digerir os alimentos etc.
Eu vejo que a tendência é começarmos a viver fora do nosso ego individual e "sair para fora", viver o todo, a alma interligada com algo maior. O ego faz parte dos seres primatas ainda, onde o instinto de sobrevivência em um mundo primitivo é primordial. A competição, a reprodução, manter a espécie "viva" no mundo, isso são funções dos instintos primitivos, para manter a vida nesse mundo de encarnados, e nisso o ego e o cérebro reptiliano são importantes.
Nos dias de hoje urge o tempo de nós abandonarmos o ego, soltar o ego. Quem se ofende é o ego, quem se apega é o ego, quem sente inveja e ciúme é o ego, quem quer competir é o ego, quem quer ter status, poder é o ego, quem se sente superior ou inferior é o ego. Quando abandonamos o ego, não mais nos ofendemos, soltamos, não nos apegamos, nos livramos da inveja e do ciúme, em vez de competir, cooperamos, não temos mais o interesse de controlar mais ninguém ou de ter status social, portanto não temos mais a necessidade de nos sentirmos superior, ou a infelicidade de nos sentirmos inferior diante de uma situação ou de alguém, ficamos mais leves, e livres, para vivermos a nossa alma.
Uma sociedade de regeneração precisa prezar a importância de priorizar as necessidades do espírito acima das necessidades materiais, precisamos entender que carro de luxo do ano, salário alto todo final do mês, bens materiais exacerbados superando muito acima do que é necessário, status social, emprego ou cargo de importância, isso tudo é coisa do ego, do materialismo, não vamos levar nada disso depois da morte. Precisamos entender o que Jesus disse quando expulsou os vendilhões do templo: "dai a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus". O que é de Deus são as coisas do espírito, os valores de caráter, o estudo árduo que nos leva ao entendimento de que precisamos abandonar o ego e viver mais harmoniosamente com o próximo, ser mais dócil com o próximo, mais compreensível, evitar discussões e brigas que inflam, defendem e interessam somente ao ego. Quando vemos uma briga, uma discussão por algo tão pequeno como um jogo de futebol por exemplo, e vemos até assassinatos de pessoas por causa disso, precisamos entender que o cara matou o outro não por causa de um jogo de futebol apenas, e sim pois naquela discussão estavam os interesses do ego, do orgulho, da competitividade, da agressividade, do instinto primitivo, interesses do cérebro reptiliano. Para ele, é importante não levar desaforo para casa. Para ele, não revidar, é sinal de fraqueza e não de força. Mal sabe ele que ao revidar ou "mostrar força", está declarando e revelando toda a sua fraqueza. Não revidar e ser humilde é sinal de que o espírito é forte, experiente e maduro.
Precisamos mudar isso e transmutar do ego para alma. Começar a viver fora do ego de uma vez por todas, quebrar e sair do ovo. Precisamos entender que o cérebro reptiliano é importante sim, mas que ele é a parte mais primitiva e antiga do cérebro. O conjunto total de nosso cérebro abrange áreas mais novas e mais evoluídas do que o cérebro reptiliano que está no interior, e precisamos aprender a usar essas áreas e construir um mundo de regeneração, dando um salto quântico como um elétron.


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